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ritodepassagem |
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Canto
e dança ritual indígena |
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26 a 28 de Janeiro |
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Solar do Unhão/MAM |
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Salavador -BA |
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É com grande alegria que o Instituto das Tradições Indígenas - IDETI traz o Projeto Rito de Passagem – Canto e Dança Ritual Indígena pela primeira vez para a cidade de Salvador, como Projeto Convidado do Programa Petrobras Cultural.
Rito de Passagem chega a Salvador com uma missão muito especial: aproximar as tradições, juntar o povo desta cidade que tem uma forte herança das aldeias africanas de além mar, com o povo indígena que já vivia nas aldeias daqui. Um momento de celebração do encontro, do conhecimento tradicional, das raízes.
É um tempo importante também para os 14 povos indígenas deste Estado que estão afirmando a tradição herdada dos ancestrais, fortalecendo sua identidade para enriquecer com sua diversidade o já tão rico Estado da Bahia.
Os povos Kiriri de Mirandela e Pataxó da aldeia Barra Velha foram convidados para representar os povos da Bahia por simbolizarem a luta e a força dos povos indígenas deste Estado. Vêm se juntar aos povos Xavante e Karajá, do centro-oeste do país, trazendo para compartilhar com o povo de Salvador o que têm de mais precioso: a tradição, o conhecimento, a arte milenar e os rituais que têm um poder transformador.
O que vai acontecer aqui no Solar do Unhão não é um espetáculo, não é um show. É o ritual verdadeiro transportado do pátio cerimonial das aldeias para o espaço cênico.
Nosso desejo é que neste palco de terra batida, com o fogo, com a água, com o céu lá em cima aconteça um verdadeiro ritual, com a presença do espírito. Que o povo de Salvador possa viver junto conosco um momento de transformação e harmonia.
Que os novos ventos soprem favoráveis ao intercâmbio cultural, ao aprendizado, à aproximação entre os povos.
Para manter vivo o Espírito da Criação.
Jurandir Siridiwê Xavante
Presidente do IDETI
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Povo Pataxó
Aldeia Mãe de Barra Velha
Localização: Parque Nacional de Monte Pascoal / Porto Seguro - BA
População: aproximadamente 3000 pessoas
Língua: em recuperação
Tempo de contato: 500 anos
Povos guerreiros ocupavam o sul do atual estado da Bahia e norte do Espírito Santo quando chegaram as caravelas... Receberam com generosidade os visitantes que nunca mais foram embora, mas o preço desse “desencontro” foi alto para os Pataxó. Perderam seu território, muito do seu conhecimento sobre a mata e os mistérios da Tradição, foram proibidos de falar sua língua, de reverenciar os ancestrais.
Cinco séculos depois, a nova geração busca com coragem e empenho se afirmar como povo tradicional, inspirada na luta dos velhos que nunca desistiram de sua identidade e território.
As pinturas corporais em jenipapo recriam as formas da natureza, adornos em plumas e madeiras enfeitam orelhas, lábios, cabelos... Assim os novos guerreiros se armam de boas palavras, conhecimento, tecnologia, se fortalecem com o espírito dos ancestrais para enfrentar os novos tempos e mudar sua história.
Os Pataxó de Barra Velha se organizam em cooperativa para divulgar seu artesanato, desenvolvem projetos de eco-turismo, redescobrem sua língua materna, escrevem livros, fazem suas cerimônias, cantam e dançam como fizeram os antigos. Estão conectados com o céu e a terra, com os ancestrais e com o mundo contemporâneo. Com orgulho de sua herança e esperança no futuro.
Os cantos e danças expressam os sentimentos de alegria, tristeza, a luta e a história do povo, fortalecem o espírito e trazem harmonia com a natureza e com o sagrado. Heruê é o nome dado às cerimônias de canto e dança coletiva, também conhecidas como Awê, onde a comunidade busca forças para enfrentar os desafios da vida.
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Povo Kiriri
Aldeia Mirandela
Localização: Municípios de Banzaê e Quijingue - Norte da Bahia
População: aproximadamente 2000 pessoas
Língua: em recuperação
Tempo de contato: 500 anos
Kiriri em Tupi significa quieto. Esse povo do semi-árido baiano resistiu dentro de seu silêncio a séculos de violência e escuridão e, como o feijão de corda ou o gravatá, soube esconder a força da semente que germina em qualquer solo e a água pura que dá a vida, para renascer orgulhoso e firme na sua identidade.
Fortes, guerreiros, sábios, mágicos seres que superaram todas as adversidades, construíram história e hoje são exemplo de determinação e estratégia política.
Os Kiriri lutaram ao lado de Antonio Conselheiro por prometidos “montes de cuscuz e rios de leite” e nessa luta perderam a vida, a terra, os pajés, seu lugar no mundo. Ficaram escondidos e subjugados durante anos para ressurgirem numa luta vitoriosa na década de 90, que os conduziu novamente a seu território de origem, reconhecido pelo rei de Portugal no século XVII mas ocupado por posseiros por mais de 100 anos.
Hoje tecem as fibras de uricuri para as roupas tradicionais que usam no dia-a-dia, para as redes de dormir, para as bolsas que carregam o essencial. Moldam o barro em formas belas e precisas, criando peças únicas de pura arte. Dançam com alegria o Toré que reaprenderam com outros povos e trazem a força dos encantados para o centro da roda. Pisam o chão com firmeza e criam a força que os defende de todos os perigos e armadilhas.
“Com amor e paciência, como diz o Cacique Lázaro, porque o índio nasce da terra e depois torna a renascer porque é um animal-vegetal que só Deus pode conceber”.
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Povo
Xavante - A´uwê Uptabi (Povo Verdadeiro)
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Povo Xavante – A´uwê Uptabi (Povo Verdadeiro)
Aldeia Etenhiritipa e Wederã
Localização: Terra Indígena Pimentel Barbosa, Mato Grosso
População: População dessas aldeias 400 pessoas, população total de
13 mil pessoas em 8 Reservas Indígenas
Língua: Xavante, tronco Macro-jê
Tempo de contato: aproximadamente 60 anos
O povo Xavante é guerreiro e caçador. Vive nos vastos campos do cerrado, desde que os ancestrais atravessaram o Rio das Mortes há quase 200 anos. Resistiram bravamente à entrada das frentes de atração na década de 1940, atacando os aviões que sobrevoavam a aldeia com flechas e bordunas.
O povo Xavante se auto denomina A´uwê Uptabi, gente verdadeira. São de uma linhagem antiga, vieram da raiz do céu. Se pintam com jenipapo, carvão e urucum, tiram as sobrancelhas e os cílios, usam cordinhas nos pulsos e pernas e a gravata cerimonial de algodão. O corte de cabelo, os adornos e pinturas dão identidade ao povo Xavante.
O Warã reúne os homens adultos todos os dias, antes do nascer e ao pôr do sol para discutirem os assuntos de importância para a aldeia.
O sonho direciona a vida, dá o rumo, a orientação, responde a todas as questões. É no sonho que chegam os cantos, transmitidos pelos ancestrais e partilhados com todo o povo da aldeia.
O som do canto é forte e poderoso. Alegra o povo, prepara o guerreiro, acompanha a corrida de tora, a caçada de fogo, a furação de orelhas, pede fartura na caça e na roça, cura os males do corpo e do espírito.
A cerimônia de furação de orelha é um marco para toda a comunidade. Acontece a cada cinco anos quando os meninos que ficaram reclusos na casa dos solteiros completam seu aprendizado dos princípios da Tradição.
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Povo Karajá – Iny (Nós mesmos)
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Povo Karajá – Iny (Nós mesmos)
Aldeia Fontoura
Localização: Parque Indígena do Araguaia, Ilha do Bananal – Tocantins
População: total de 2600 pessoas, 600 pessoas na aldeia Fontoura
Língua: Karajá – tronco Macro Jê
Tempo de contato: aproximadamente 200 anos
O povo Iny é o povo das águas. Compartilha o Araguaia com os outros seres da natureza desde que os ancestrais, curiosos com o mundo desconhecido que havia além de um orifício na superfície da água, deixaram as profundezas do rio e atravessaram para este mundo.
Toda a vida e história do povo Iny está diretamente ligada ao Araguaia e ao seu mito de origem: a localização das aldeias, a posição das casas, as cerimônias, as festas. Os dois círculos tatuados nas maçãs do rosto - o omarura - dão identidade ao povo Karajá.
Seu canto forte e melodioso alegra os ancestrais, os seres mágicos do rio, mantém o equilíbrio da comunidade, introduz as novas gerações nos ensinamentos da tradição. Assim os Iny - Karajá preservam os ensinamentos dos ancestrais enquanto buscam formas de convivência com a sociedade brasileira.
Aruanã e Hetohoky são as principais cerimônias.
No Aruanã, homens incorporam os espíritos das águas, cantam e dançam cobertos com máscaras de palha. No Hetohoky, que é o rito de passagem dos meninos para a fase adulta, os homens pintam o corpo com jenipapo, usam plumas de pássaros nas pernas e braços e um cocar em forma de grande círculo com penas brancas, pretas e rosa.
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