Já estou de volta a casa!!! Recuperada do jet lag e tentando entrar na realidade do trabalho daqui. Foram muitos dias fora de casa, do outro lado do mundo, literalmente, com todas as coisas “do avesso”.
Escrevi pela última vez quando chegamos a Tokyo, no dia 14, e depois o ritmo foi tão intenso que quase não sobrou tempo para nada!!!
A apresentação dos Karajá no dia 15 de julho, no hall do prédio do Asahi Beer foi linda!!! Um público de mais de 300 pessoas, em cadeiras e no chão circundavam um espaço preparado especialmente para a apresentação com linólio. Os vidros do hall, com pé direito de mais de 10 metros, revelavam a cidade e sua movimentação lá fora.... O tempo todo passavam carros pela avenida e no elevado, bem em frente ao prédio. Quando anoiteceu, o jogo de luzes de fora e de dentro, os reflexos da dança nos vidros se misturando com as cenas da cidade compunham um nova paisagem... Tradição e tecnologia!!!!! Cores, plumas, grafismos e luzes...Ao final da apresentação todos dançaram juntos, velhos, crianças, jovens... Os japoneses participavam muito das atividades com os Karajá.
Depois da apresentação fomos recepcionados num jantar especial para alguns convidados da Fundação Arion Edo e da empresa de bebidas. Chique!!!!
Ao final das atividades a rotina era a mesma: banho, arrumar tudo – objetos, adornos, cenário, etc - , jantar e seguir para o hotel de metrô!!! Quilômetros percorridos sob a terra, nas estações imensas... mudando de uma linha para outra... até chegar ao Celestine Hotel, em Mita. Uma aventura sempre!!!! E o cansaço era tanto que as escadarias da estação próxima ao hotel, nós subíamos nos arrastando!!!!
O Hotel era bem legal. Confortável, com café da manhã bom, incluindo café com leite, pão e manteiga pela primeira vez em 4 dias!!! E um pátio no 14o.andar com mesas e cadeiras, café e biscoitos grátis... Ponto de encontro dos Karajá e nossa pequena equipe.
As apresentações nos dias 16 e 17 foram muito impactantes!!! O teatro Soguetsu é muito bonito, moderno, bem equipado, bem localizado. As duas apresentações não estavam lotadas, mas pelo menos umas 400 pessoas assistiram a cada noite. Muitos jornalistas que estavam na coletiva de imprensa apareceram. Alguns amigos como Satomi e Reginaldo, amigos da Eliza e da Midori também.
A entrada do grupo Karajá foi feita pelo meio do público e os gritos e a beleza dos adornos causavam exclamações do público. Foi um sucesso!!!
Na primeira noite a Sra. Kayoko, presidente da Fundação estava presente. Ela ficou muito emocionada e expressou sua alegria ao grupo no camarim. Foi presenteada pelo Coxini com uma cesta com um par de bonecas de cerâmica pintada e retribuiu com um jantar especial para o grupo numa churrascaria brasileira. O que deve ter sido caríssimo!!! Mas fez a alegria da turma Karajá que estava sofrendo com a comida japonesa!!! Fomos ao Barbacoa, com direito a arroz e feijão, farofa e muita carne!!! E Guaraná Antártica!!!
A venda de artesanato também foi um sucesso! Centenas de colares de sementes, maracás, bonecas, pingentes.... Os rapazes ficaram felizes com o resultado. Os Cds e vídeos do IDETI também fizeram sucesso!
O dia 18 foi de descanso e passeio. Merecido!!!! Fomos de barco até o bairro de Asakusa para visitar o templo de Kannon, onde fizemos nossas oferendas de incenso e moedas e os Karajá compraram presentes e relógios!!!! Chovia muito e a Midori comprou guarda chuvas de plástico verde para todos nós... Era engraçado o grupo “uniformizado” em meio a milhares de turistas num corredor de lojas que vai da rua até o templo. Um templo de consumo!!!
O almoço desse dia também foi especial, no restaurante de comida brasileira Que Bom. E estava muuiiito bom mesmo! Os japoneses que cozinham são fãs do Brasil e aprenderam de verdade o tempero brasileiro. Comemos couve com torresmo, arroz e feijão, banana a milanesa, sopa de fubá, lingüiça e muita carne.....
No final do dia voltamos ao teatro Soguetsu para ver a apresentação do grupo Tuareg. Lindíssimo!!!! As mulheres cantam com uma força contagiante e a percussão é maravilhosa!!! As roupas coloridas cobrindo todo o corpo, os adornos em couro e prata e as danças suaves contrastavam com a energia e a força dos Karajá.
No sábado, dia 19, foi a última apresentação, em outro local de Tokyo, num teatro enorme da prefeitura de Musashino, numa noite compartilhada com os Tuareg. Estava completamente lotado!!! E as pessoas vibraram.
O jantar de despedida foi próximo ao Hotel, mas era tão tarde e os Karajá estavam tão cansados que muitos desistiram de comer e foram dormir!!! No dia seguinte tínhamos só algum tempo para acabar de arrumar as bagagens e ir para o aeroporto para começar a jornada de volta!
O resultado dessa aventura: a felicidade estampada no rosto das pessoas que participaram das atividades, o orgulho de usarem os colares e mostrarem as pinturas com jenipapo, os depoimentos emocionados de quem ouve falar da floresta distante mas que depois do contato direto com os Karajá passou a entender a importância da natureza e das culturas tradicionais.
Mais uma vez ficamos com o sentimento de dever cumprido, de termos colaborado para a aproximação entre os povos urbanos e o povo da floresta, para a reflexão sobre o modelo de desenvolvimento que o mundo seguiu e a importância dos povos tradicionais na proteção e guarda dos lugares de poder neste planeta. Deixamos algumas sementes no coração dos japoneses que tiveram o privilégio de conhecer os Karajá. Pena que este importante trabalho não tem a repercussão que merece aqui, dentro de nosso país!!!
Vamos lá!!! Daqui a pouco teremos outro Rito de Passagem!!!angela @ 12:36 | | Link
O Documentário Estratégia Xavante está fazendo uma carreira de sucesso em festivais internacionais. Depois de receber o prêmio Manuel Diégues Júnior na 12º Mostra Internacional do Filme Etnográfico no Rio de Janeiro em novembro de 2007, recebeu no mês de maio Menção honrosa do Juri no Documenta Madrid 08 – V Festival Internacional de Documentales de Madrid.
E para completar, foi selecionado como um dos 10 melhores filmes brasileiros de 2007 para integrar a Premiere Brazil/New York 2008 - no MOMA. Com platéias lotadas, as duas exibições do documentário comoveu o público norte americano e recebeu menção especial em matéria do New York Sun (conferir abaixo).
Nos próximos meses o documentário será exibido em Festivais em São Francisco (USA), Bruxelas (Bélgica) e Londres.
Aguardem mais notícias!!!!
Bravo, Rio: MoMA's Premiere Brazil, 2008
By | July 15, 2008
Considering its critical acclaim, international success, and Oscar nominations, it's not a stretch to say that Fernando Meirelles's 2003 film "City of God" put Brazilian cinema on the map. But such an assertion does a disservice to a great movie tradition that began in the 1920s. The Museum of Modern Art 's Premiere Brazil , 2008, which starts July 17, seems to go out of its way to prove that there's more to the country than favelas riddled with drugs and violence. Indeed, this sixth edition of the program has curiously omitted all films piggybacking on the success of "City of God"; the most notable exclusion is José Padilha's "Elite Squad," which scored the top prize at this year's Berlin Film Festival and an American distribution deal with the Weinstein Company.
Instead, Premiere Brazil, 2008 offers looks at several facets of life in that country, and also at various strata of Brazilian society — from average citizens to people on the very fringes. There are stories here about ordinary folks maneuvering through bureaucratic red tape, indigenous people struggling to hold on to their heritage, seven dwarfs touring with a circus, and drifters wandering through the barren landscape.
One thing the series makes clear is the importance of music in the Brazilian culture. Carolina Jabor's documentary "The Mystery of Samba," which finds several veteran musicians rehearsing in Rio de Janeiro's top samba school, is a wonderful ode to these underappreciated masters, reminiscent of Wim Wenders's "Buena Vista Social Club" documentary on those legendary Cuban musicians. Lirio Ferreira's "The Man Who Bottled Clouds" is a documentary on songwriter-lawyer-congressman Humberto Teixeira, which is making its world premiere on the MoMA program. With "Out of Time," the filmmaker Walter Lima Jr. gives bossa nova a dramatic treatment, tracking historical events, from the 1960s through the military dictatorship of the 1980s, via the career of a fictitious band. Unfortunately, the film, which occasionally devolves into melodrama about doomed romances, is likely to disappoint fans of the breezy musical genre, just as Bruno Barreto's 2000 film "Bossa Nova" did.
The fiction entries in this year's "Premiere Brazil" lineup aren't as impressive as their documentary counterparts. There are, however, a couple of solid offerings with Hollywood cash courtesy of Columbia Pictures that seem destined for some sort of English-language remake. Jorge Furtado's "Basic Sanitation, The Movie" is an amusing comedy about townspeople who take desperate measures to fix the local sewer problem, tapping into a governmental grant earmarked for a film project, which of course requires these amateurs to put together a movie. It's a crowd-pleaser in the fashion of "Waking Ned Devine."
The highlight of the program is Belisario Franca's documentary "The Xavante Strategy," about the indigenous Xavante nation sending its young men off to the "big city" to learn Portuguese and become familiar with Brazilian culture, the better to defend their own tribal heritage and land. Through interviews with the young men who have since returned to their tribe, and also with the foster families that hosted them during their time in Ribeirao Preto, the film weaves together an utterly engrossing, sometimes heartbreaking, and ultimately triumphant portrait of cultural exchange. It's truly inspiring to hear about these young children who leave their home and loved ones behind for an utterly foreign destination with an utterly foreign language, and who ultimately break down stereotypes and thrive in the outside world before returning home to reclaim their old way of life. Since the archival footage available is scant, "The Xavante Strategy" certainly has its narrative limitations. But if there's a film here that really screams for a remake or dramatization, this certainly would be the one.
MARTIN TSAI http://www.nysun.com/arts/bravo-rio-momas-premiere-brazil-2008/81869/angela @ 15:59 | | Link
Estamos em Tokyo. Deixamos as montanhas de Okutama para descer para a grande cidade na tarde de domingo num ônibus junto com o grupo Tuareg. Foram quase 4 horas de viagem, com um congestionamento na estrada muito conhecido de nós- paulistanos.
Ficamos em Okutama 4 dias. Dois dias num chalé numa vila de moradores, muito tranqüila, só a nossa turma, com uma vizinhança de velhinhos simpáticos. As montanhas muito altas fechavam totalmente a paisagem a nossa volta e a neblina estava sempre presente. Muito calor e umidade e muita chuva pesada, com trovoadas. Nesse lugar só descansamos e fizemos conversas com nosso produtor Kazuo.
No sábado fomos para um parque, próximo a um grande lago artificial e de uma barragem. Nesse parque, muita gente acampada e outras famílias em chalés participavam de um final de semana promovido pela Fundação Arion Edo com direito a workshop e apresentações dos Karajá e Tuaregs. Choveu muito e quase não conseguimos fazer a apresentação que era ao ar livre. Mas no fim deu tudo certo e o público de umas 300 pessoas ficou muito impressionado com a força e a alegria dos Karajá. Todo mundo queria se pintar com jenipapo, inclusive muitas crianças... Houve uma caminhada e apresentações de um grupo de dança local...
O cansaço continua.... e a dificuldade com a comida também. No final da tarde todos estão acabados!!! Os Karajá e nós, eu e Eliza, também!
Hoje fomos de metrô para o local do workshop. Uma aventura!!! As estações são enormes, com muitos níveis diferentes e linhas passando... Parece um labirinto e mesmo a Midori, que nos acompanha, tem dificuldade em se localizar...
Foi muito bom o contato com o público. Uma amiga japonesa de Kushiro, em Hokkaido, chamada Keiko veio especialmente com sua filha para nos ver! Ela já tinha ido ao Brasil em 2006 especialmente para o Rito de Passagem em Salvador!!!Foi muito bom encontrá-la.
Amanhã teremos a 1a. apresentação no hall do imponente prédio da companhia de cervejas Asahi.E na quarta e quinta feira são as principais apresentações no Soguetsu Hall, as principais, com 1h20 de duração.
Vou mandando notícias, na medida do possível.
angela @ 20:39 | | Link
Chegamos ontem (10/07) a Tóquio. Eram 13h30, horário local quando o avião desceu no aeroporto de Narita, depois de quase 12 horas de viagem desde Paris e 7 horas de fuso horário. A rota do avião é pelo norte da Europa e Rússia e como é verão, durante o caminho todo havia luz no céu. Mas não se pode ficar com a janela do avião aberta. Os comissários de bordo fecham tudo para criar uma sensação de noite e as pessoas dormirem. O horário que foi servido o jantar e depois um café da manhã faz parte dessa tentativa de iludir nosso corpo de que é um horário do dia que ele sabe muito bem que não é...
No aeroporto tivemos os trâmites de liberação de entrada da plumaria Karajá. O Sr. Kazuo Iida estava nos esperando com os papéis emitidos pela alfândega. Foram simpáticos conosco e a operação não foi muito demorada. Dali seguimos de van para o centro da cidade para um espaço Soguetsu onde teríamos uma coletiva de imprensa. É um prédio moderno com lajes de pedras enormes criando como que uma montanha de pedras com um caminho de água.
Lá estavam a Midori e a Satomi, amigas queridas que já trabalham conosco há tempos. Midori está na produção do evento pela Fundação Arion Edo e Satomi foi indicada por nós para fazer a tradução da coletiva.
Estávamos muito cansados. 2 dias praticamente sem dormir, sem tomar banho, comendo sanduíches e comida de avião... O esgotamente estava estampado em cada rosto. Não foi fácil se concentrar na entrevista, fazer cara de alegria, ser atencioso com as pessoas . Pontualmente às 17h, vários jornalistas chegaram, organizadamente, e se posicionaram esperando a coletiva. Duas equipes de televisão e cerca de uns 20 jornalistas, da área de cultura e meio ambiente, estavam ali. Eu e Coxini falamos. Falei sobre o povo indígena do Brasil e sobre o IDETI e ele sobre os Karajá. As perguntas foram sobre a destruição causada pela soja e cana, sobre os rituais, sobre a expectativa dos Karajá a respeito do público japonês.
Uma TV dirigida a brasileiros nos entrevistou também. Os Karajá puseram alguns adornos, no meio da entrevista a pedido do pessoal da Fundação.
Saímos dali às 7h e seguimos para Okutama que fica há 2 hs e meia de distância, primeiro por uma auto estrada e depois por uma bem estreita e cheia de curvas, subindo a montanha. Chegamos 21h30 a um chalé no alto da montanha e um jantar nos esperava. A casa é moderna, mas baseada na arquitetura tradicional com 2 pavimentos com quartos com tatami e banheiros coletivos para o banho de ofurõ. Tudo era novidade para os Karajá que se divertiram no banho mas quase assaram na água quente... A comida tem sido uma surpresa sempre e eles vão tentando se adaptar. Às vezes alguém fica sem comer....Fomos deitar bem tarde, depois de meia noite, e às 5 da manhã o povo já estava acordado, falando alto....
Pela manhã pudemos ver a beleza das montanhas bem altas e da pedra que fica logo a frente do chalé que parece o pão de açúcar em tamanho menor.... O café da manhã, sem café, foi no estilo tradicional, com arroz, peixe, saladinhas....Fizemos uma reunião de trabalho para entender melhor a programação e a separação do artesanato que os Karajá trouxeram para vender.... centenas de peças..... O sono é constante.A sensação de confusão...por não saber exatamente que horas são....Amanhã teremos uma primeira atividades, neste mesmo parque. Vamos encontrar os Tuareg.
Somos bem tratados, com atenção e carinho do grupo de pessoas mais velhas que esta aqui cozinhando e cuidando de nossa estadia. Eles são bem tradicionais e ficam curiosos com a reação dos Karajá à comida.
Não conseguimos ainda telefonar para casa e eu estou um pouco aflita com isso. Aqui não tem telefone público e nem internet. No aeroporto de Paris a internet é paga....e ainda não consegui passar nenhuma mensagem para os amigos. Mas estamos todos bem, com saúde e curiosidade pelos próximos dias. O cansaço é grande e alguns Karajá dizem que estão arrependidos de terem vindo....Dá para entender....
Okutama
11/07/08
angela @ 20:32 | | Link
Queridos amigos,
O Documentário Estratégia Xavante, uma iniciativa do IDETI em parceria com a comunidade Xavante da T.I. Pimentel Barbosa e com a produção da Giros acaba de receber o Prêmio Manuel Diégues Júnior, na 12ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico.
Reconhecimento a um trabalho realizado com muito empenho e carinho, a um sonho acalentado por mais de 15 anos até a sua realização, agora em 2007.
A matéria de Carlos Alberto Mattos de O Globo, reproduziza a seguir, não faz menção à história deste projeto, nem mesmo à origem do documentário A' uwe Uptabi, realização do Nucleo de Cultura Indígena. Mas vale pela sensibilidade e visão.
O povo Xavante merece este e muitos outros prêmios.
Angela Pappiani
Aproveitamos para enviar também a crítica publicada no DOCBLOG de
A sobrevivência na diferença
Estratégia Xavante, de Belisário Franca, conta a estória de oito meninos indígenas de etnia xavante que, no final dos anos 1970, por decisão do cacique Apoena, foram enviados a Ribeirão Preto (SP) para serem educados e conviverem com famílias brancas. A estratégia era fazer com que eles estudassem, conhecessem e entrassem em contato com as regras e hábitos dos brancos para melhor defender e fortalecer a cultura xavante. A trajetória desses meninos é recuperada em entrevistas com as famílias de criação e nos depoimentos dos próprios índios que viveram a experiência - hoje, quase todos expressivos líderes de comunidades xavantes. Mas o filme é mais que isso.
O diretor explora com delicadeza aquilo que se revela como trama paralela à estratégia que dá nome ao filme: as diferenças insuperáveis que se tornam a principal referência na vida desses meninos. Uma vez na cidade, são vistos com estranhamento, curiosidade e alteridade; de volta à tribo, são eles que têm dificuldade em se readaptar aos hábitos antigos, perdem os rituais de passagem, essenciais na formação cultural das crianças xavantes. Tanto as suas memórias quanto a das famílias de criação estão calcadas nas diferenças produzidas no encontro. A grande sacada de Franca foi perceber como, justamente por conta da percepção dessa diferença, os índios puderam, e souberam, ser atravessados pela cultura branca sem serem assimilados por ela.
Não foi essa a primeira vez que Belisário Franca filmou os xavantes. Em Povo Verdadeiro (1988) ele contou sobre as origens da tribo, que luta bravamente para sobreviver e manter a beleza do corpo e do espírito apenas com o que a terra lhe oferece, e que se distingue por viver todos os momentos importantes de forma coletiva. Vemos isso também em Estratégia, onde as cenas dos principais rituais pontuam a essência da cultura e contam sobre os valores que a norteiam. E é num belo insight do articulado Tsetetó Xavante, um dos jovens da experiência, que todas essas imagens ganham um sentido redentor: segundo ele, os xavantes passam por todos os rituais para que aprendam a ultrapassar suas dificuldades e, dessa forma, se impor como homens perante a tribo pela auto-superação; já para os brancos, diz ele, o peso e a cobrança são muito maiores, eles precisam superar muito mais que a si próprios. "Psicologicamente, o homem branco é doido...", resume Tsetetó.
Será talvez a hora de também nós inventarmos uma estratégia de sobrevivência?
angela @ 09:41 | | Link
Queridos amigos
Estamos a mais de uma semana em Recife. Montar a estrutura do Rito de Passagem no Marco Zero, no coração da cidade, foi um desafio e tanto. Uma arquibancada coberta, um palco em terra batida, todo equipamento de som e luz...
A praça do Marco Zero é tombada e a Prefeitura colocou muitos obstáculos até nos permitir realizar ali nosso evento. Tentaram nos convencer a fazer o Rito em outro lugar. Mas não havia outro lugar. O coração tinha batido pelo Marco Zero. Era ali. Nossos espíritos protetores estão sempre trabalhando para que as coisas aconteçam como devem acontecer... e conseguimos a liberação do Marco Zero.
Só que as restrições e exigências colocadas pela Prefeitura eram muitas e tivemos que ir adaptando nosso plano ideal à realidade local. Ficamos com uma arena menor do que a de costume, mas isso aproximou o público das apresentações e o resultado foi ótimo. A terra para o palco é sempre um ponto delicado, que exige muita atenção da produção. Foram 3 caminhões de terra, mais de 30 metros cúbicos socados até se transformarem num pátio de aldeia. Depois das plantas colocadas ao fundo, da terra arrumada, com a iluminação e o cenário magnífico do mar ao fundo quem entrava na arquibancada se sentia transportado, como um toque de mágica, para um outro lugar, muito distante do burburinho da cidade do Recife.
Na noite de sexta feira, os Pankararu tomaram o pátio do Rito de Passagem com seus "encantados". Homens cobertos por máscaras de palha e enfeites de tecido colorido que incorporam os espíritos e dançam em reverência ao Criador.
Os encantados percorriam todo o terreiro do Rito com a dança forte que vem dos ancestrais e as vozes numa língua que ficou na memória somente dos cantos e se perdeu no dia a dia. A voz das três mulheres, Dôra e Aruana e Josivete, mãe e filha unidas no caminho espiritual, se destacava no coletivo e fazia o público arrepiar pela intensidade e verdade dos cantos.
Depois dos Pankararu entram no pátio os Fulni-ô com o Toré e suas buzinas, com coreografias sofisticadas e o canto forte das mulheres e homens. Um grupo de jovens representou o povo Fulni-ô que está desde setembro na reclusão da cerimônia espiritual do Ouricuri. Para nós, do IDETI, foi uma honra contar com a presença dos Fulni-ô que abriram uma exceção ao projeto Rito de Passagem e permitiram a saída desse grupo de cantores.
Um público de mais de 500 pessoas esteve na Marco Zero para o primeiro dia do Rito e se emocionou com as as cerimônias dos povos de Pernambuco. No final, representantes de cada um dos povos tomou o microfone para falar um pouco de sua cultura e realidade e no final todos se juntaram ao público para uma grande festa que só terminou quase 11 horas da noite.
São Pedro deu sua contribuição, afastando as chuvas e vento forte que nos acompanharam nos dois dias de montagem de estruturas. A noite de céu aberto e estrelas foi perfeita para os rituais.
No sábado o pátio de transformou para receber o povo Xavante, com suas máscaras de palha nos suportes no fundo do palco. A fogueira tradicional no centro da dança não pode ser montada por causa do forte vento que sopra todo o tempo no Marco Zero.
Como sempre, a força dos Xavante impressionou a todos os presentes. O vigor dos cantos, a força dos pés batendo na terra, a beleza das pinturas corporais que são feitas na frente do público, tudo isso causou emoção e ao final muitas pessoas no público e mesmo na equipe de produção estavam chorando. Cumprimos nossa missão: tocar o coração das pessoas, transformar...
Hoje, 11/11, os Mehinaku entram no terreiro e com certeza será um fechamento muito especial.
Termina também nossa exposição com as fotos de Helio Nobre que foi montada no Terminal Marítimo, ao lado do Marco Zero. No espaço da exposição, uma TV exibiu em sessões contínuas 5 vídeos mostrando a realidade de diferentes povos indígenas. O movimento e o interesse das pessoas foram grandes e a única reclamação do público é pelo curto tempo de permanência do projeto Rito de Passagem na cidade.
Talvez o Rito volte nos próximos anos para cá e temos esperança de conquistar o apoio das autoridades locais para nosso projeto que mais uma vez mostra sua grande importância. Mas conquistamos já, neste primeiro ano de Recife, o carinho, respeito e empenho de muitas pessoas maravilhosas que vestiram a camisa do Rito e entraram com todo o coração na nossa batalha para realização do projeto.
Viva o povo do Recife!!! Viva o povo indígena daqui e de todo o Brasil!
Amanhã tem mais....
Angela Pappiani
adriana @ 09:11 | | Link
A noite do dia 01 de agosto foi muito especial!
Tivemos a primeira exibição do documentário Estratégia Xavante para um público de convidados do IDETI, na sala 4 do Espaço Unibanco de Cinema.
Cerca de 120 pessoas foram prestigiar a exibição e se emocionaram com os depoimentos das mães dos meninos Xavante mandados para a cidade de Ribeirão Preto, riram com as situações engraçadas vividas nesse encontro entre culturas, ficaram impressionadas com a visão estratégica dos velhos da aldeia e com o desenrolar de uma história que podia ter dado errado mas que foi vitoriosa e permitiu ao povo Xavante de Pimentel Barbosa preservar seu território e tradição.
A versão longa metragem do documentário Estratégia Xavante vai agora para festivais no Brasil e exterior enquanto não negociamos sua distribuição para as salas comerciais. Enquanto isso, o público pode conferir uma versão mais curta, mas não menos emocionante, no SBT, dia 12 de agosto à meia noite.
Não perca!!!! E depois registre aqui sua opinião!!!
angela @ 14:26 | | Link
O IDETI realizou em parceria com a Produtora Giros o documentário "Estratégia Xavante", vencedor do concurso cultural Documenta Brasil, patrocinado pelo Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual (MINC/SAV), Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV), Petrobras e Sistema Brasileiro de Televisão - SBT,
Nesse documentário está registrada a história de oito crianças Xavante que conviveram na década de 70 com famílias da cidade de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, como estratégia criada pelo chefe Ahopowê para conhecer o povo estrangeiro.
Entre esses meninos está o presidente do IDETI Jurandir Siridiwê Xavante.
O vídeo será veiculado no SBT e posteriormente nos cinemas.
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O ESTADO DE SÃO PAULO / CADERNO 2 / TERÇA-FEIRA / 10/07/2007 / PÁG. 10
SBT investe em Documentário
Canal exibe vencedores de concurso
Keila Jimenez
As madrugadas de domingo do SBT ganharão documentários.
Entre os dias 29 de julho e 19 de agosto a emissora exibirá, aos domingos, à meia-noite, os vencedores do Concurso Cultural Documenta Brasil. São quatro ganhadores selecionados entre 267 propostas inscritas.
O concurso, uma parceria da emissora com patrocinadores e o Ministério da Cultura, deu a cada uma das propostas ganhadoras R$ 550 mil para a produção de um documentário a ser exibido na programação do SBT, e de uma versão cinematográfica de longa para distribuição em salas de cinema digitais.
Entre os vencedores estão Estratégia Xavante, que conta a história de meninos indígenas enviados para serem educados por famílias brancas , KFZ-1348 , retrato da vida social brasileira nos últimos 40 anos, contada a partir dos oito proprietários sucessivos de um Fusca.
Os outros dois ganhadores são Pindorama, que mostra o dia-a-dia de um circo dirigido por uma família de anões que percorre o Nordeste, e Rita Cadillac, que, como o próprio nome diz, conta a história da chacrete mais famosa do País.
Na TV, os documentários terão em média 50 minutos.
adriana @ 15:48 | | Link
ASSISTA NA TV TUPINIKIM A ENTREVISTA REALIZADA COM O PRESIDENTE DO IDETI JURANDIR SIRIDIWÊ XAVANTE.
LINKS:
adriana @ 15:13 | | Link
No último dia 4 de abril, em cerimônia na reitoria da Universidade Católica de Goiás - UCG, foi assinado convênio de cooperação entre o IDETI – Instituto das Tradições Indígenas e essa importante instituição de ensino e pesquisa , para cooperação acadêmica, técnica e científica com vistas ao desenvolvimento mútuo de atividades de Pesquisa, Extensão e Treinamento em Territórios Indígenas A assinatura do convênio oficializa uma importante parceria e retoma um antigo compromisso da Universidade Católica de Goiás com a causa indígena. O atual presidente do IDETI, Jurandir Siridiwe Xavante, juntamente com seu primo Paulo Cipassé, cacique da aldeia Wederã, participou, na década de 80, de um projeto inovador da UCG chamado Aldeia Juvenil com a proposta de reabilitar jovens infratores através do conhecimento e prática da cultura Xavante. Na década de 90, a UCG foi parceira de outra iniciativa pioneira ao criar o curso de Biologia Aplicada para receber jovens indígenas das etnias Xavante, Yanomami, Suruí, Ticuna, Terena, Krenak e Kaingang dentro do projeto do Centro de Pesquisa Indígena, conduzido pelo Núcleo de Cultura Indígena. O convênio agora assinado com o IDETI tem por objetivo: · Intercâmbio de conhecimentos tradicionais e científicos; · Elaboração e desenvolvimento de pesquisas conjuntas; · Organização e participação em seminários, simpósios e encontros acadêmicos e em áreas indígenas · Exercer consultorias; · Permitir intercâmbio e reciprocidade na utilização de laboratórios, equipamentos e infra-estrutura de campo nas áreas de interesse das partes; · Desenvolver outras atividades julgadas mutuamente aprovadas. 
angela @ 17:24 | | Link

O IDETI criou este BLOG para propiciar um dinamismo maior na divulgação das noticias.
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