Já estou de volta a casa!!! Recuperada do jet lag e tentando entrar na realidade do trabalho daqui. Foram muitos dias fora de casa, do outro lado do mundo, literalmente, com todas as coisas “do avesso”.
Escrevi pela última vez quando chegamos a Tokyo, no dia 14, e depois o ritmo foi tão intenso que quase não sobrou tempo para nada!!!
A apresentação dos Karajá no dia 15 de julho, no hall do prédio do Asahi Beer foi linda!!! Um público de mais de 300 pessoas, em cadeiras e no chão circundavam um espaço preparado especialmente para a apresentação com linólio. Os vidros do hall, com pé direito de mais de 10 metros, revelavam a cidade e sua movimentação lá fora.... O tempo todo passavam carros pela avenida e no elevado, bem em frente ao prédio. Quando anoiteceu, o jogo de luzes de fora e de dentro, os reflexos da dança nos vidros se misturando com as cenas da cidade compunham um nova paisagem... Tradição e tecnologia!!!!! Cores, plumas, grafismos e luzes...Ao final da apresentação todos dançaram juntos, velhos, crianças, jovens... Os japoneses participavam muito das atividades com os Karajá.
Depois da apresentação fomos recepcionados num jantar especial para alguns convidados da Fundação Arion Edo e da empresa de bebidas. Chique!!!!
Ao final das atividades a rotina era a mesma: banho, arrumar tudo – objetos, adornos, cenário, etc - , jantar e seguir para o hotel de metrô!!! Quilômetros percorridos sob a terra, nas estações imensas... mudando de uma linha para outra... até chegar ao Celestine Hotel, em Mita. Uma aventura sempre!!!! E o cansaço era tanto que as escadarias da estação próxima ao hotel, nós subíamos nos arrastando!!!!
O Hotel era bem legal. Confortável, com café da manhã bom, incluindo café com leite, pão e manteiga pela primeira vez em 4 dias!!! E um pátio no 14o.andar com mesas e cadeiras, café e biscoitos grátis... Ponto de encontro dos Karajá e nossa pequena equipe.
As apresentações nos dias 16 e 17 foram muito impactantes!!! O teatro Soguetsu é muito bonito, moderno, bem equipado, bem localizado. As duas apresentações não estavam lotadas, mas pelo menos umas 400 pessoas assistiram a cada noite. Muitos jornalistas que estavam na coletiva de imprensa apareceram. Alguns amigos como Satomi e Reginaldo, amigos da Eliza e da Midori também.
A entrada do grupo Karajá foi feita pelo meio do público e os gritos e a beleza dos adornos causavam exclamações do público. Foi um sucesso!!!
Na primeira noite a Sra. Kayoko, presidente da Fundação estava presente. Ela ficou muito emocionada e expressou sua alegria ao grupo no camarim. Foi presenteada pelo Coxini com uma cesta com um par de bonecas de cerâmica pintada e retribuiu com um jantar especial para o grupo numa churrascaria brasileira. O que deve ter sido caríssimo!!! Mas fez a alegria da turma Karajá que estava sofrendo com a comida japonesa!!! Fomos ao Barbacoa, com direito a arroz e feijão, farofa e muita carne!!! E Guaraná Antártica!!!
A venda de artesanato também foi um sucesso! Centenas de colares de sementes, maracás, bonecas, pingentes.... Os rapazes ficaram felizes com o resultado. Os Cds e vídeos do IDETI também fizeram sucesso!
O dia 18 foi de descanso e passeio. Merecido!!!! Fomos de barco até o bairro de Asakusa para visitar o templo de Kannon, onde fizemos nossas oferendas de incenso e moedas e os Karajá compraram presentes e relógios!!!! Chovia muito e a Midori comprou guarda chuvas de plástico verde para todos nós... Era engraçado o grupo “uniformizado” em meio a milhares de turistas num corredor de lojas que vai da rua até o templo. Um templo de consumo!!!
O almoço desse dia também foi especial, no restaurante de comida brasileira Que Bom. E estava muuiiito bom mesmo! Os japoneses que cozinham são fãs do Brasil e aprenderam de verdade o tempero brasileiro. Comemos couve com torresmo, arroz e feijão, banana a milanesa, sopa de fubá, lingüiça e muita carne.....
No final do dia voltamos ao teatro Soguetsu para ver a apresentação do grupo Tuareg. Lindíssimo!!!! As mulheres cantam com uma força contagiante e a percussão é maravilhosa!!! As roupas coloridas cobrindo todo o corpo, os adornos em couro e prata e as danças suaves contrastavam com a energia e a força dos Karajá.
No sábado, dia 19, foi a última apresentação, em outro local de Tokyo, num teatro enorme da prefeitura de Musashino, numa noite compartilhada com os Tuareg. Estava completamente lotado!!! E as pessoas vibraram.
O jantar de despedida foi próximo ao Hotel, mas era tão tarde e os Karajá estavam tão cansados que muitos desistiram de comer e foram dormir!!! No dia seguinte tínhamos só algum tempo para acabar de arrumar as bagagens e ir para o aeroporto para começar a jornada de volta!
O resultado dessa aventura: a felicidade estampada no rosto das pessoas que participaram das atividades, o orgulho de usarem os colares e mostrarem as pinturas com jenipapo, os depoimentos emocionados de quem ouve falar da floresta distante mas que depois do contato direto com os Karajá passou a entender a importância da natureza e das culturas tradicionais.
Mais uma vez ficamos com o sentimento de dever cumprido, de termos colaborado para a aproximação entre os povos urbanos e o povo da floresta, para a reflexão sobre o modelo de desenvolvimento que o mundo seguiu e a importância dos povos tradicionais na proteção e guarda dos lugares de poder neste planeta. Deixamos algumas sementes no coração dos japoneses que tiveram o privilégio de conhecer os Karajá. Pena que este importante trabalho não tem a repercussão que merece aqui, dentro de nosso país!!!
Vamos lá!!! Daqui a pouco teremos outro Rito de Passagem!!!angela @ 12:36 | | Link
O Documentário Estratégia Xavante está fazendo uma carreira de sucesso em festivais internacionais. Depois de receber o prêmio Manuel Diégues Júnior na 12º Mostra Internacional do Filme Etnográfico no Rio de Janeiro em novembro de 2007, recebeu no mês de maio Menção honrosa do Juri no Documenta Madrid 08 – V Festival Internacional de Documentales de Madrid.
E para completar, foi selecionado como um dos 10 melhores filmes brasileiros de 2007 para integrar a Premiere Brazil/New York 2008 - no MOMA. Com platéias lotadas, as duas exibições do documentário comoveu o público norte americano e recebeu menção especial em matéria do New York Sun (conferir abaixo).
Nos próximos meses o documentário será exibido em Festivais em São Francisco (USA), Bruxelas (Bélgica) e Londres.
Aguardem mais notícias!!!!
Bravo, Rio: MoMA's Premiere Brazil, 2008
By | July 15, 2008
Considering its critical acclaim, international success, and Oscar nominations, it's not a stretch to say that Fernando Meirelles's 2003 film "City of God" put Brazilian cinema on the map. But such an assertion does a disservice to a great movie tradition that began in the 1920s. The Museum of Modern Art 's Premiere Brazil , 2008, which starts July 17, seems to go out of its way to prove that there's more to the country than favelas riddled with drugs and violence. Indeed, this sixth edition of the program has curiously omitted all films piggybacking on the success of "City of God"; the most notable exclusion is José Padilha's "Elite Squad," which scored the top prize at this year's Berlin Film Festival and an American distribution deal with the Weinstein Company.
Instead, Premiere Brazil, 2008 offers looks at several facets of life in that country, and also at various strata of Brazilian society — from average citizens to people on the very fringes. There are stories here about ordinary folks maneuvering through bureaucratic red tape, indigenous people struggling to hold on to their heritage, seven dwarfs touring with a circus, and drifters wandering through the barren landscape.
One thing the series makes clear is the importance of music in the Brazilian culture. Carolina Jabor's documentary "The Mystery of Samba," which finds several veteran musicians rehearsing in Rio de Janeiro's top samba school, is a wonderful ode to these underappreciated masters, reminiscent of Wim Wenders's "Buena Vista Social Club" documentary on those legendary Cuban musicians. Lirio Ferreira's "The Man Who Bottled Clouds" is a documentary on songwriter-lawyer-congressman Humberto Teixeira, which is making its world premiere on the MoMA program. With "Out of Time," the filmmaker Walter Lima Jr. gives bossa nova a dramatic treatment, tracking historical events, from the 1960s through the military dictatorship of the 1980s, via the career of a fictitious band. Unfortunately, the film, which occasionally devolves into melodrama about doomed romances, is likely to disappoint fans of the breezy musical genre, just as Bruno Barreto's 2000 film "Bossa Nova" did.
The fiction entries in this year's "Premiere Brazil" lineup aren't as impressive as their documentary counterparts. There are, however, a couple of solid offerings with Hollywood cash courtesy of Columbia Pictures that seem destined for some sort of English-language remake. Jorge Furtado's "Basic Sanitation, The Movie" is an amusing comedy about townspeople who take desperate measures to fix the local sewer problem, tapping into a governmental grant earmarked for a film project, which of course requires these amateurs to put together a movie. It's a crowd-pleaser in the fashion of "Waking Ned Devine."
The highlight of the program is Belisario Franca's documentary "The Xavante Strategy," about the indigenous Xavante nation sending its young men off to the "big city" to learn Portuguese and become familiar with Brazilian culture, the better to defend their own tribal heritage and land. Through interviews with the young men who have since returned to their tribe, and also with the foster families that hosted them during their time in Ribeirao Preto, the film weaves together an utterly engrossing, sometimes heartbreaking, and ultimately triumphant portrait of cultural exchange. It's truly inspiring to hear about these young children who leave their home and loved ones behind for an utterly foreign destination with an utterly foreign language, and who ultimately break down stereotypes and thrive in the outside world before returning home to reclaim their old way of life. Since the archival footage available is scant, "The Xavante Strategy" certainly has its narrative limitations. But if there's a film here that really screams for a remake or dramatization, this certainly would be the one.
MARTIN TSAI http://www.nysun.com/arts/bravo-rio-momas-premiere-brazil-2008/81869/angela @ 15:59 | | Link

O IDETI criou este BLOG para propiciar um dinamismo maior na divulgação das noticias.
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