
Escrevo na madrugada de terça, voltando do jantar com o Ministro de Desenvolvimento da Noruega, oferecido na sede da Embaixada da Noruega em Brasília. Fomos eu e o Caimi Waiassé, meu irmão que é professor e vídeo maker na aldeia Pimentel Barbosa. Chegamos às 20:45 hs, um pouco atrasados, mas por outro lado a gente não estaria recebendo tanta atenção do Ministro, do Embaixador e do Kristian, responsável pela questão indígena, na Embaixada porque tinha muito convidado,ok!!!
Chegamos e fomos recebidos pessoalmente pelo Ministro, depois pelo embaixador e Kristian. Conversamos e rimos muito, muuuito tempo !
Depois passaram o filme sobre os povos indígenas, um DVD do Vídeos nas Aldeias, onde o Caimi aparece na maior parte, legal né!!! Claro depois do filme sobre o Caimi fomos para a mesa. Sentamos eu, o Ministro, o Caimi, o Kristian e Embaixador, nessa ordem. O jantar foi muito proveitoso. Estamos melhorando nossas relações internacionais.
Jurandir Siridiwê Xavante
angela @ 10:33 | | Link
Pela primeira vez a presença de um lider indígena levou informações reais e de um ponto de vista novo aos advogados, juristas e estudantes que participaram do Encontro Braisleiro de Direitos Humanos na cidade de Curitiba de 30 de julho a 3 de agosto.
O presidente do IDETI, Jurandir Siridiwê Xavante fez uma palestra com o tema "Os Direitos Negados" falando da realidade do povo indígena do Brasil ao longo da história do país, a partir da experiência de contato do povo Xavante com as frentes de atração, no final da década de 40.
Foi também o presidente da mesa "Direitos Humanos e Meio Ambiente", contribuindo com o conhecimento milenar e a sabedoria indígena sobre a relação com a natureza.
mais informações sobre o evento: www.direitoshumanos.adv.br
adriana @ 14:32 | | Link
O Coral das crianças Guarani da aldeia Tekoa Pyau vai fazer uma apresentação no evento de entrega da " Pesquisa brasileira em gestão do capital humano" no próximo dia 14 de agosto no Hotel Mercure, às 16h.
O convite partiu de Rugenia Maria Pomi, co- fundadora e Sócia Diretora da Sextante Brasil para quem é fundamental valorizar as raízes de nosso país.
adriana @ 14:05 | | Link
RELATOS DE VIAGEM
Nambikuara na Noruega

O convite
O convite para o IDETI - Instituto das Tradições Indígenas participar dos Festivais Forde de Música Folclórica e Riddu Riddu de Música Tradicional Indígena na Noruega chegou em março quando estávamos ainda em Fortaleza em plena produção do projeto Rito de Passagem. Foram quase três meses de negociações e produção para confirmarmos a participação do IDETI com o povo Nambikuara e suas flautas sagradas – Waihu.
O Embaixador da Noruega no Brasil, Sr. Jan Gerhard Lassen, se empenhou pessoalmente para que conseguíssemos ter um grupo indígena do Brasil representado nesses importantes festivais que cobriam todos os custos de passagens e estadia para oito pessoas, incluindo elenco e produção.
Esse foi nosso primeiro desafio já que os grupos indígenas do Brasil têm sua força ritual no coletivo e até essa data todas as produções do IDETI, inclusive dentro do projeto Rito de Passagem, tiveram grupos de no mínimo 15 participantes. As outras viagens que o IDETI produziu com povos indígenas para festivais na Alemanha, Bélgica e França também contaram com grupos de 15 a 20 pessoas.
Tentamos apoio do Ministério da Cultura para ampliar o grupo e podermos levar os Karajá, com experiência em viagens internacionais e participação no projeto Rito de Passagem. Como essa hipótese não se confirmou, optamos por um povo indígena para performance instrumental e não de canto e convidamos o povo Nambikuara com suas flautas Waihu.

Uma grande experiência
Para os Nambikuara do Cerrado esta foi a primeira experiência fora do Brasil, com tudo que isso significa de surpresas, aprendizados, choques, curiosidade e dificuldade. Ficar fora de casa por 15 dias, num lugar onde nunca fica de noite, com frio de quase zero graus e comida “estranha” não é nada fácil...
A curiosidade e o deslumbramento do grupo de seis pessoas das aldeias Nova Mutum, Kithaulu e Barracão Queimado ficaram por conta dos avanços da tecnologia: a arquitetura das cidades, os aeroportos, os aviões, as máquinas de colher e embalar a grama, guindastes, etc. A natureza diferente também despertou interesse: a neve nas montanhas, os rios limpos e cristalinos cruzando as cidades, o sol que nunca se põe, os Fiordes entrando pela terra levando a água do mar por canais longos cercados de altas montanhas...
As culturas de povos indígenas de outros lugares do mundo e os avanços políticos do povo Sami não interessaram tanto assim aos Nambikuara, mas foram pontos de grande importância para os representantes do IDETI que se responsabilizaram pelo acompanhamento da viagem, produção local, tradução e aproveitaram todas as oportunidades de trocar experiências com os representantes de outros povos e conhecer a cultura e a história dos Sami. O IDETI foi responsável também por dois seminários sobre os povos indígenas do Brasil e o trabalho do Instituto.

Uma longa viagem
Depois de 18 horas de vôo (Cuiabá/São Paulo/ Frankfurt/ Oslo/ Flore), mais de 9 horas de espera em dois aeroportos e outras 2 horas de viagem de ônibus, chegamos finalmente à cidade Forde onde participaríamos por quatro dias do Festival de Música Folclórica que mobiliza essa pequena cidade na costa oeste da Noruega há anos...
Um centro cultural bem equipado e com espaços diversos abrigou a maior parte das atividades do Festival que neste ano fazia uma homenagem especial à música brasileira. Grupo de Capoeira de Diadema, o Forró do Recife, o choco de raiz de Arco Verde (Pernambuco), Afoxé de Salvador e Samba levaram cor e ritmo para os palcos fazendo vibrar o público norueguês.
Músicos de grande talento de outros lugares do mundo apresentaram também a diversidade e riqueza cultural da Koreia, Bósnia – Herzegovina, Portugal, Itália, Índia, Senegal, Iraque e Burquina Faso, Armênia, Suíça e Noruega.

As apresentações
Os Nambikuara fizeram três apresentações ao ar livre em diferentes pontos da cidade, surpreendendo um público local de cerca de 600 pessoas. Uma apresentação especial de 30 minutos reuniu pais e crianças que lotaram uma sala de concertos e participaram ativamente dançando e cantando ao final com os Nambikuara. As duas participações principais do grupo foram: um concerto de 1 hora no principal espaço do Centro Cultural para um público de cerca de 500 pessoas e participação no concerto de abertura do evento para mais de 2700 pessoas.
Para o público do festival o som suave e melodioso das flautas foi uma surpresa. As pessoas deixavam as salas com os olhos cheios de lágrimas e diziam estar comovidas com a simplicidade e ao mesmo tempo autenticidade das apresentações, uma verdadeira viagem para um lugar distante, mas presente no imaginário das pessoas. A história da criação das flautas narrada em inglês e norueguês completava a magia e beleza da apresentação.
Os primeiros dois dias na Noruega foram de um calor tímido, sol e céu azul. Depois o tempo fechou e a chuva e o frio tornaram as noites um pouco mais “escuras” facilitando o sono. Na cidade de Forde a presença de muitos brasileiros facilitou a comunicação e a adaptação dos Nambikuara que estranharam somente a paisagem e as noites tão claras.

Em terras Sami
Deixamos Forde na madrugada da 2ª. Feira para pegar um vôo em Flore (a 2 horas de distância em ônibus) para Oslo e depois outro vôo para a cidade de Tromso, ao norte, de onde seguiríamos em ônibus também para a pequena vila de Mandalen, terra do povo Sami.
Estávamos ansiosos em conhecer essas terras no extremo norte do mundo, acima do círculo polar ártico, território tradicional do povo SAMI, que ainda habita os outros três países que fazem fronteira nessa região do mundo: Rússia, Finlândia e Suécia.
Chegar a Mandalen foi uma experiência fantástica. Além da luz vibrante do sol da meia-noite, a neve nas montanhas e a diversidade de povos presentes ao festival o mais surpreendente foi o carinho e calor do Povo Sami. Era como chegar a uma aldeia, em algum lugar do Brasil, mas com um povo todo branquinho, loirinho, de olhos meio puxados... Quando falávamos para os Nambikuara que iriam conhecer um povo indígena branco e loiro eles não acreditavam. Mas o jeito caloroso, alegre, espontâneo, a preocupação com a comida e bebida para os visitantes, a música e as festas convenceram os Nambikuara que estavam entre “parentes”. Como diz o grande sábio Caimi Waiassé Xavante – “A´uwê one si” – isto é: povo indígena é tudo igual, em qualquer lugar do planeta...

Uma nova paisagem
A vila de Mandalen fica num vale com montanhas muito altas que se elevam do mar. Florestas de pinheiros cobrem as encostas e a neve, mesmo no verão, se aloja nos picos e reentrâncias criando um contraste bonito de verde e branco. Muitas cachoeiras de centenas de metros de queda trazem as águas dos lagos e degelos do alto das montanhas até o mar.
Essa paisagem é o habitat tradicional das renas que mudam de local em busca de alimentos, no verão subindo as montanhas e no inverno ocupando as áreas mais baixas. Os pastores de rena seguem a trilha das manadas, utilizando trenós motorizados no inverno e usando tendas mais modernas, mas a base da tradição está presente no formato original das tendas desse povo e nos caminhos percorridos atrás das renas.
No verão, durante três meses, o sol permanece o tempo todo no céu, com uma luz intensa, fazendo um circulo de 360 graus. Os dias mais quentes podem ter temperaturas de até 20 graus, mas às vezes o frio chega com a chuva e o termômetro desce abaixo de zero.
No inverno a noite toma conta de tudo por três meses e a temperatura chega a menos de 30 graus negativos. Mas, como dizem os Sami, “o Criador, para alegrar o povo, tinge o céu de muitas cores” e a Aurora Boreal traz serpentes de luz colorida que se reflete na neve e espalha os tons do arco íris pelas montanhas e vales.

O Festival
O Festival Riddu Riddu está em sua 15ª. Edição. Nasceu da vontade do povo dessa pequena vila de pescadores e pastores de renas, cabras e ovelhas, de valorizar a cultura tradicional, fortalecer a língua e a arte do povo Sami. É o momento em que muitas famílias Sami vêm de longe para acampar em tendas de formato tradicional, compartilhando os dias que não têm fim em torno do fogo, da comida, da música e da celebração.

O Festival reúne grupos Sami de vários países e grupos indígenas de outras regiões do mundo. Nesta edição, participaram os Koesam da África do Sul, os Inuit do Alasca, Jakutia, da Sibéria, Ainu do Japão, Maori da Nova Zelândia, Cree do Canadá, gente de Taiwan, Mongólia, Groenlândia e os Nambikuara que representaram pela primeira vez o povo indígena do Brasil.
Dentro do Festival Riddu o povo Nambikuara teve duas importantes presenças: uma apresentação especial para mais de 300 crianças que terminou numa grande celebração onde todos deram as mãos e dançaram e cantaram juntos, e um concerto em comemoração aos 15 anos do Festival, num surpreendente dia de sol depois de quatro dias de muito frio e chuva...
Além das apresentações, o Riddu Riddu Festival teve uma importante mostra de cinema, com realizações do povo Sami dos quatro países e de realizadores indígenas de outros lugares do mundo como Canadá, Índia, etc. Aconteceram ainda cursos, workshops, encontros e o Acampamento da Juventude para aproximar cada vez mais as novas gerações da tradição e dos conhecimentos milenares do povo Sami.

O Povo Sami
O povo Sami ocupa uma vasta extensão de terras no extremo norte do mundo, cruzando as fronteiras de quatro países: Noruega, Finlândia, Suécia e Rússia, muito antes desses lugares existirem enquanto nações. São caçadores, pescadores, coletores e principalmente pastores de renas. A tradição, a arte, a vida cotidiana são marcadas pelo pastoreio das renas, pelos caminhos que elas percorrem.
Não se pode definir com precisão a população Sami. Estima-se que na Noruega sejam entre 60 000 e 100 000 habitantes, de 15 a 25 mil na Suécia, 6 000 na Finlândia e 2 000 na Rússia. O Sámediggi – o parlamento Sami promoveu o recenseamento de 11 mil cidadãos acima de 18 anos que se registraram e tomaram parte nas eleições.
Na abertura oficial do Sámediggi (Parlamento Sami) em 1997, Sua Majestade o Rei Harald V fez um pronunciamento onde enfatizou que os Sami e os Noruegueses são uma parte integral da sociedade norueguesa, e pediu desculpa pela forma como os Sami tinham sido tratados no passado: «O Estado da Noruega foi fundado no território de dois povos – os Sami e os Noruegueses. A história Sami está estreitamente interligada com a história norueguesa. Atualmente, expressamos o nosso pesar em nome do Estado pelas injustiças cometidas contra o povo Sami através da sua dura política de norueguização».

Viagem de volta
Ficamos sete dias em Mandalen, convivendo com gente de tantos lugares diferentes, compartilhando com o povo Sami seu lugar, sua música, sua comida e seu carinho. Fomos cuidados com especial atenção por todos: organizadores, voluntários, visitantes. Nos deram agasalhos especiais para enfrentar o frio, nos levaram conhecer os arredores, contaram histórias, abriram suas casas e corações. Mas o impacto da luz constante no céu, a saudade de casa, o estranhamento da comida foram pesando, com o passar dos dias e os Nambikuara começaram a sonhar com a família, com a aldeia... Hora de voltar para casa.
A viagem começou na manhã de domingo, com o retorno para a cidade de Tromso onde pegamos o vôo para Oslo e depois Frankfurt. Atrasos nos vôos, bagagens perdidas, correria nos aeroportos... A volta foi mais difícil que a ida e o cansaço foi transformando as caras e humores... Foram mais 16 horas de vôo até São Paulo, final da viagem para a equipe do IDETI, mas metade da viagem para os Nambikuara que ainda tinham 2 horas de vôo até Cuiabá e mais 8 horas de ônibus até Comodoro de onde seguiriam para a aldeia.
Eles têm muita história para contar, fotografias, lembranças de viagem, experiências para compartilhar com as famílias e outras lideranças. A principal mensagem ficou resumida na fala de despedida de uma mulher Sami, Aunfred, que nos recebeu e se responsabilizou por nosso bem estar durante a semana em Mandalen. Ela disse, com lágrimas nos olhos:
“Vocês foram os convidados mais esperados, os participantes mais especiais, talvez em todos estes anos de festival. Porque ainda mantêm sua tradição e sua língua e lutam para proteger o lugar onde nasceram. Nós aqui temos que agradecer cada minuto, de cada dia, de todos os anos de nossas vidas por vocês existirem, do outro lado do mundo. Porque este é o único lugar acima da linha do círculo polar ártico onde existem florestas, todo esse verde... Porque a corrente do Golfo do México traz para cá a água quente que faz a vida brotar tão forte. Porque vocês protegeram por tantas gerações a floresta amazônica... Cada vez que vocês forem ao rio, na sua aldeia, pensem que a mesma água vai correr para o mar, para o Atlântico, e vai chegar aqui, trazendo esperança para nosso povo Sami.”
São Paulo, julho de 2006.
Angela Pappiani
Coordenadora Cultural
IDETI

A participação do povo Nambikuara nos festivais na Noruega contou com apoio da Embaixada da Noruega, que repassou o convite ao IDETI e intermediou as relações com os produtores dos Festivais; da Funai que autorizou a emissão dos passaportes; da Prefeitura de Comodoro através do Prefeito, Sr. Aldir Bal Marques Moraes, da Secretária de Educação, Sra. Rosina Correia e do Secretário de Cultura, Sr. David Moraes; da empresa Grantur Turismo e do Sr. Luiz Carlos Amaro, da empresa Bruna Turismo.
adriana @ 09:30 | | Link

O IDETI criou este BLOG para propiciar um dinamismo maior na divulgação das noticias.
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