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15/07 - O último sol da meia-noite

Amigos

Este é nosso último dia aqui em Mandalen. Saímos às 10h da manhã de domingo para a cidade de Tromso onde pegamos o vôo para Oslo, depois para Frankfurt e depois para o Brasil.

A jornada para nós só vai terminar na 2a. às 5h30 em Cumbica, a dos Nambikuara ainda segue por mais um dia até Cuiabá e depois para Comodoro e aldeia.
Longa jornada de volta para o corpo e o espírito que está modificado com tantas impressões novas, paisagens, emoções, rostos, músicas, sons, ventos.

Hoje o dia começou com sol e um certo calorzinho quando o vento não sopra. Foi uma benção para a apresentação dos Nambikuara que foi ao ar livre.

Estávamos com muito medo porque eles não suportariam o frio de ontem. No final do dia nosso amigo Ashlier disse que 3 xamans haviam subido as montanhas para fazer o céu se abrir e isso realmente aconteceu. Estávamos congelando, literalmente. Choveu muito e o vento batia gelado de doer os ossos e a cabeça. Nem toda a roupa que tínhamos nos aquecia. Foi duro !!!

A apresentação para as crianças que deveria acontecer às 16h numa pequena floresta - como eles chamam - teve que ser transferida para uma quadra de esportes fechada mas foi um sucesso. As crianças gostaram muito e dançaram junto no final. As apresentações no palco principal do evento tiveram um ótimo público que assistiu com capa de chuva, guarda chuva, botas de borracha, etc.

Hoje os Nambikuara se prepararam numa tenda tradicional com foguinho aquecendo. As peles de rena que forram o chão ficaram vermelas de Urucum... vamos deixando marcas por todos os lados.

Ao final da apresentação recebemos flores de presente, uma gravura e um livro ilustrado sobre os Sami.

É muito bom ver tanta gente, principalmente os jovens e crianças assumindo a identidade Sami, tentando aprender a língua, usando as roupas tradicionais.

Os grupos de música dos jovens que misturam o Yoki - canto tradicional - com instumentos e ritmos modernos, fazem muito sucesso e tem legiões de fãs que gritam na frente do palco como nos shows de pop stars.

O grupo Ainu e Maori que se apresentaram também são modernos e fora as roupas e alguns instrumentos é muito difícil identificar as raízes do povo nessas apresentações.

O grupo da Sibéria e o da Mongolia também são grupos profisssionais com base na tradição do povo mas com muitos elementos de show business. É tudo muito diferente dos povos do Brasil, das características de nosso projeto Rito de Passagem.

É bom ver as lágrimas de emoção no rosto das pessoas, a reverência com que ouvem o povo verdadeiro que vem do Brasil. Tem sido assim em todas as nossas viagens internacionais, nosso trabalho consegue comover, tocar o coração das pessoas pela verdade e força que tem.

Acho que vamos demorar um tempo para absorver todas as informações e impressões destes dias. Foi ótimo estar aqui e vamos levar saudades do lugar e dos amigos que fizemos, gente muito hospitaleira e amável que nos recebeu com muito carinho e dedicação.

Está é a última comunicação desde as Terras Sami. Vamos aproveitar cada minuto destas últimas horas que temos por aqui e espero que o sol brilhe pleno até a meia-noite. Será o último sol da meia-noite.

Angela Pappiani


adriana @ 09:46 | | Link


13/07 - Sol da meia-noite

Queridos amigos

A experiência de ontem foi fantástica!!! Fomos para a beira do mar, alguns km daqui, para ver o sol da meia-noite. Não dá para descrever a emoção... é muito lindo seguir o movimento do sol pelo céu, fazendo um círculo completo, durante todo o dia e descendo até quase tocar o mar exatamente a meia-noite para depois subir novamente e seguir o seu caminho. Essa descida acontece no norte e ao meio-dia ele se posiciona ao sul.

O céu estava muito azul e a luz do sol é tão intensa que quase não é possível olhar para o mar em sua direção. Foi uma sorte incrível porque os outros dias têm estado nublado e com muita chuva. Voltamos para o alojamento e ninguém conseguia dormir com aquele sol brilhando e tanta excitação.

Hoje tivemos outra experiência fantástica. Subimos as montanhas, passamos por uma estrada de terra muito estreita beirando um precipício, por muitas cachoeiras, acúmulos de neve, grupos de ovelhas etc.

Chegamos a casa de verão de uma família tradicional Sami que segue as renas nesse período do ano até o alto da montanha. Fomos recebidos com muito carinho, comemos carne de rena, queijo de cabra. Vimos uma rena domesticada e fizemos muitas fotos com ela.

Nosso acompanhante Ashiler é muito gentil e está nos contando muitas histórias. Amanhã temos um seminário e começa o Festival de Cinema. O público começa a chegar e acampar em volta. Vai ter muita gente de sexta-feira até domingo.

Até amanhã. Beijos.

Angela Pappiani


adriana @ 12:31 | | Link


11/07 - Estamos em terra Sami

Queridos amigos,

Mais notícias da Noruega.

Estamos em terras Sami!!! Extremo norte do mundo, numa região de muitas montanhas e águas.

As montanhas são muito íngremes, com profundos vales e precipícios, a neve ainda resiste no topo, apesar de estarmos em pleno verão.

A luz do sol também ilumina o céu o tempo todo e as noites são mais claras que em Forde, mas está chovendo muito e faz frio para nós. O povo aqui anda de camiseta e bermuda e nós encolhidinhos de frio.

O fechamento do evento em Forde foi com música brasileira e dançamos forró até às 2h da manhã.

Saímos às 4h30 em direção ao aeroporto e pegamos o vôo as 7h com destino a Tromso, a cidade mais próxima. Enfrentamos o caos no aeroporto por causa de um problema no sistema de transporte de bagagens. Depois de 2h de viagem, sem comer nada porque a companhia cobra até água dentro do avião, chegamos a Tromso e nossas malas desapareceram.

Um rapaz Sami estava nos esperando e nos sentimos em casa, como chegar numa aldeia. O povo aqui e muito gentil e simpático e estão fazendo de tudo para que a gente se sinta bem.

Estamos hospedados na escola da Vila de Mangalen, onde acontece o festival. Dormimos todos numa sala de aula e preparamos nosso café da manhã e lanche com uma geladeira cheia de coisas gostosas só para nós.

Temos vizinhos Sami da Rússia e alguns voluntários de outros países como Inglaterra, Suíça etc.

O Festival só começa amanhã, dia 12 e os outros artistas ainda vão chegar. O lugar onde estamos é um vale cercado de montanhas muito altas e nevadas. O acampamento tradicional esta sendo montado e vai acontecer um festival de cinema Sami, teatro, festival culinário, muita música e dança.

O pessoal Nambikuara esta bem, curiosos com tudo e delirando com as máquinas de lavar e secar roupas. Essa é a grande diversão já que não temos TV.

Hoje ganhamos algumas roupas novas (camisetas, moletom e cuecas para todos, inclusive para mim) para poder trocar enquanto nossas malas não aparecem. Já a do Jurandir chegou no mesmo vôo que viemos. Ele é muito sortudo mesmo.

O material para as apresentações, os artesanatos para venda, folder, DVDs etc... tudo esta nas malas que não aparecem.

Todos vêm falar comigo em Norueguês e pensam que sou daqui. Ninguém acredita que sou brasileira assim tão branquinha.

Vamos daqui a pouco para um passeio nas montanhas, a outra Vila Sami onde está acontecendo um festival para crianças e amanhã temos um seminário para falar do IDETI, do povo indígena do Brasil e exibir nosso filme sobre os Xavante "A'uwê Uptabi - O povo verdadeiro".

Vou mandando notícias.

Um grande beijo cheio de saudades a todos.

Angela Pappiani


adriana @ 10:49 | | Link


08/07 - Apresentação na cidade de Forde

Queridos amigos,

Hoje é o grande dia para os Nambikuara. O desafio é fazer uma apresentação de 1 hora. Ficamos até de madrugada combinando o roteiro da apresentação e acho que vai ser lindo. Daqui a pouco temos uma parada pelas ruas com todos os outros artistas.

A cidade de Forde é muito bonita. Tem um rio cristalino de pedras no fundo cruzando a cidade. No outono os salmões sobem o rio.

Estamos no verão e o tempo todo tem luz no céu. É muito difícil para a gente se localizar no tempo. Não da vontade de dormir, mas pela manhã o sono vem com toda força.

Os Nambikuara estranham isso. Perguntam pelas estrelas. É muito estranho mesmo uma noite sem estrelas. Não dá nem para acender uma fogueira para a festa.

Amanhã é nosso último dia aqui e seguimos mais para o norte, para a terra dos Sami. Lá o sol vai brilhar mesmo, o tempo todo no céu.

Estamos bem e felizes com a viagem.

Angela Pappiani


adriana @ 10:19 | | Link


07/07 - Chegamos à Noruega

Queridos amigos,

Chegamos bem à Noruega depois de quase 30 horas de viagem. O vôo ate Frankfurt foi tranqüilo. O pessoal Nambikuara estranhou muito o avião... muito apertado, difícil para dormir. O ônibus de Comodoro é muito melhor.

Em Frankfurt ficamos esperando 5 horas. Passeamos pelas lojas, comemos nosso lanchinho, assistimos TV, dormimos nos bancos.

De lá para Oslo foram mais 2 horas. O aeroporto de Oslo e muito bonito. Uma arquitetura completamente diferente. Muita madeira, pé direito altíssimo, espaços abertos.

Em volta montanhas altas e verdes. Muitos pinheiros. Chegamos às 6h. E o sol estava forte. Muito calor. Esperamos ate às 9h para o outro vôo e ele atrasou. Só foi sair às 11 da noite que não é noite.

Quando o avião pequeno, só para 40 pessoas, levantou vôo vimos o sol se pondo e o céu ficou vermelho como no cerrado.

Durante o percurso, o avião sobrevoou montanhas muito altas, com neve no topo, precipícios, muitos lagos. Água por toda parte. Muito lindo....

O aeroporto de Flore e parecido com os das pequenas cidades na Amazônia. Só uma sala onde se chega e se retira à bagagem.

Duas garotas - nossos anjos - estavam nós esperando. Já eram mais de meia-noite. A cidade de Forde fica a 54km por uma estrada que vai beirando a água de um grande Fjord que são canais que vem desde o mar.

A escola onde estamos hospedados é muito legal. Bonita, bem arrumada, os quartos são confortáveis, os banheiros comunitários são bonitos e com muita privacidade.

As pessoas nos receberam muito bem, com carinho e atenção. Mas o ritmo é puxado. Fomos dormir mais de 3h e levantamos às 8h para preparar a primeira apresentação às 12h. Mas deu tudo certo.

A abertura do Festival foi às 8 da noite e a apresentação dos Nambikuara foi linda. Sete minutos de flautas e um canto no meio de uma programação de música brasileira com muita batucada... Foi lindo. Uma pausa de poesia... Todos comentaram.

Fiz minha apresentação no seminário sobre música brasileira e sofri muito para colocar minhas idéias em inglês. Preciso me preparar melhor. De qualquer forma as pessoas gostaram e comentaram muito.

Estamos com problemas com o equipamento. O celular já não funciona porque não consegui um adaptador para ligar o recarregador na tomada. Tive que comprar outro recarregador para as pilhas e hoje já teremos nossa câmera fotográfica funcionando de novo. A câmera de vídeo esta sem o recarregador

Mas espero que este primeiro relato ajude vocês a acompanharem nossa viagem. Da próxima vez vou mais nas impressões e sentimentos.

Um grande beijo a todos desta terra onde não existe noite por três meses no ano.

Angela Pappiani


adriana @ 10:03 | | Link