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Povo Nambikuara na Noruega

O Povo Nambikuara do Cerrado vai representar os povos indígenas do Brasil em 2 importantes festivais de música tradicional na Noruega de 5 a 16 de julho próximo.

O Festival Forde de Música Folclórica acontece de 6 a 9 de julho na costa oeste da Noruega, próximo à cidade de Berger. O Festival Riddu Riddu de Música Tradicional acontece de 11 a 16 de Julho em Gaiuvotna/ Kafjord, no extremo norte, no território do Povo Sami, povo indígena original da Noruega, Finlândia, Suécia e Rússia.

O IDETI – Instituto das Tradições Indígenas, por sua atuação na divulgação e valorização das culturas indígenas do Brasil já foi convidado para vários eventos internacionais levando a diversidade, beleza e força das tradições indígenas dos povos Tukano, Xavante e Karajá para Alemanha ( Munique, Dresden, Bochum e Berlin) , Bélgica (Antuérpia) , França (Gannat e Montliçon)  e Japão (Akan – Hokkaido).

Agora, o convite veio da Noruega para o povo indígena do Brasil se juntar a muitos outros povos tradicionais do mundo numa grande celebração. E o IDETI escolheu as flautas sagradas Waihu do povo Nambikuara  para soprar o som criador dos ancestrais e levar a mensagem de força e resistência dos povos que mantêm uma conexão com o Espírito Criador.

Os Nambikuara participaram do Projeto Rito de Passagem – canto e dança ritual indígena em 2005, no Museu da República, Rio de Janeiro. Muitos saíam pela primeira vez da aldeia para uma cidade grande e levaram sua curiosidade, gentileza e sensibilidade para compartilhar com os outros povos indígenas presentes ao evento: Pankararu, Guarani e Karajá. A apresentação de canto e dança foi acompanhada por um público de mais de 800 pessoas que se emocionaram com a força da apresentação.
A viagem para a Noruega é a primeira viagem internacional do grupo e os seis representantes estão ansiosos com tudo que vão viver nesses dias próximos ao Pólo Norte: o sol da meia noite, o frio em pleno verão, o acampamento tradicional do povo Sami, a convivência com outros povos tradicionais da Noruega, Rússia, África do Sul, Japão, Jacarta, Koreia, etc...
Serão dias intensos de muitas novidades e acontecimentos, de intercâmbio com povos indígenas de outros países que conquistaram direitos, acesso a tecnologias e novos conhecimentos mas não se afastaram de seu modo tradicional de vida.

O povo Nambikuara

Nambikuara, em tupi significa “gente de orelha furada” um apelido dado pelos Guarani aos povos que habitam a região noroeste do Mato Grosso, divisa com Rondônia, áreas de Cerrado e de Floresta no Vale do Guaporé. São cerca de 1500 pessoas no total, pertencentes a 18 sub grupos, que mantêm os mesmos fundamentos da tradição, mas com diferenças significativas na língua e costumes.

Os primeiros contatos aconteceram há cerca de 100 anos , com a Missão Rondon. Apesar desse tempo, e da proximidade com as fazendas e cidades que ocuparam a região, os Nambikuara lutam bravamente para manter sua cultura e recuperar conhecimentos e costumes que estão guardados na memória dos mais velhos.

A caça e a pesca, muito apreciadas, hoje não são abundantes. Adornos e utensílios são feitos por homens e mulheres com arte e técnicas milenares com a matéria prima do cerrado: o tucum, as fibras de buriti, madeiras e plumas.

O povo Sami

O povo Sami ocupa uma vasta extensão de terras no extremo norte do mundo, cruzando as fronteiras de 4 países: Noruega, Finlândia, Suécia e Rússia, muito antes desses lugares existirem enquanto nações. São caçadores, pescadores, coletores e principalmente pastores de renas. A tradição, a arte, a vida cotidiana são marcadas pelo pastoreio das renas, pelos caminhos que elas percorrem.

Não se pode definir com precisão a população Sami. Estima-se que na Noruega sejam entre  60 000 e  100 000 habitantes, de  15 a 25 mil na Suécia, 6 000 na Finlândia e 2 000 na Rússia. O Sámediggi – o parlamento Sami promoveu o recenseamento de 11 mil  cidadãos acima de 18 anos que se registraram e tomaram parte nas eleições.

Na abertura oficial do Sámediggi (Parlamento Sami) em 1997, Sua Majestade o Rei Harald V fez um pronunciamento onde enfatizou que os Sami e os Noruegueses são uma parte integral da sociedade norueguesa, e pediu desculpa pela forma como os Sami tinham sido tratados no passado: «O Estado da Noruega foi fundado no território de dois povos – os Sami e os Noruegueses. A história Sami está estreitamente interligada com a história norueguesa. Atualmente, expressamos o nosso pesar em nome do Estado pelas injustiças cometidas contra o povo Sami através da sua dura política de norueguização».

Mais informações sobre os festivais:
www.riddu.com  e  www.fordefestival.no

Realização IDETI
Apoios: Prefeitura de Comodoro,  Embaixada da Noruega, Alta Veículos,  FUNAI

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adriana @ 16:32 | | Link


Paulo Bororo

Na última Terça feira, dia 23 de maio, nosso companheiro de sonhos e de trabalhos, Paulo Miriecuréu nos deixou.

Foto de Paulo Miriecuréu com sua esposa e filho.
Janeiro de 2002, aldeia Garças.

"Somos o povo Bororo, nome que nos deram. Para nós mesmos, somos Boe - gente verdadeira.
Bororo é o nome do grande pátio central da nossa aldeia onde enterramos nossos mortos até o corpo se decompor, até ficarem apenas os ossos que são pintados e enfeitados e enterrados definitivamente na lagoa sagrada.

Com este projeto formaremos uma nova aldeia que na nossa língua vai se chamar Meri Ore Eda, que quer dizer Morada dos Filhos do Sol. Nessa aldeia nova será mantida a tradição do povo Boe. Ela vai acolher as reuniões, as festas, os rituais, os funerais de nossos mortos, as pescarias e coletas de alimentos tradicionais. Será como antigamente.

O que queremos é assegurar nosso tronco de cultura, porque um povo sem cultura não é povo."

Trecho da carta de Paulo Miriecuréu apresentando seu pensamento sobre a aldeia Meri Ore Eda.

Em janeiro de 2002, Paulo convidou o IDETI para a cerimônia tradicional de batismo de seu filho que aconteceu na aldeia do Garças, na T.I. Meruri. Para recuperar os rituais que estavam se perdendo decidiu, apesar de seus 40 anos de idade, fazer a cerimônia de furação do lábio, nariz e orelhas que marca a passagem dos adolescentes, ritual que há muitos anos não se realizava. Seguindo seu exemplo, outros 10 jovens das aldeias Meruri e Garças também passaram pelo mesmo ritual, com orgulho e coragem.

 

Participou com seu povo do Projeto Rito de Passagem em 2002, revelando a beleza e força dos rituais Bororo para um público admirado nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Esteve a frente de um grupo de jovens, incentivando a prática esportiva e a recuperação cultural. Essa coragem e determinação marcaram as ações da vida de Paulo Miriecureu.

Em 2002 passou a integrar a diretoria do IDETI contribuindo com sua força e experiência política para o crescimento da Instituição. Foi nessa época também que começou a falar de seu grande sonho: construir uma aldeia tradicional, fora da influência da Missão Salesiana, onde a cultura Bororo pudesse ser vivenciada pelos jovens que estão se afastando cada vez mais da tradição.

Esse sonho levou em 2004 o Ministro Gilberto Gil e várias outras autoridades a conhecer o local onde está sendo erguida a aldeia Meri Ore Eda.

Hoje, o cerne vermelho de Aroeira é o esteio central do Bai Managuejeu, a Casa dos Homens, referência espiritual e social do povo Boe, erguida pelo povo Bororo. Em seu redor serão construídas as casas tradicionais que vão acolher as pessoas, as cerimônias, a prática cultural.

Pessoas de diferentes etnias e origens estão juntas nessa missão, com conhecimento, energia, vontade para alimentar o ideal deste lugar chamado Meri Ore Eda onde a tradição milenar do povo Boe está viva.

Estamos todos, sua família, amigos e companheiros do IDETI comprometidos com essa missão.


adriana @ 15:56 | | Link