Queridos amigos,
O Documentário Estratégia Xavante, uma iniciativa do IDETI em parceria com a comunidade Xavante da T.I. Pimentel Barbosa e com a produção da Giros acaba de receber o Prêmio Manuel Diégues Júnior, na 12ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico.
Reconhecimento a um trabalho realizado com muito empenho e carinho, a um sonho acalentado por mais de 15 anos até a sua realização, agora em 2007.
A matéria de Carlos Alberto Mattos de O Globo, reproduziza a seguir, não faz menção à história deste projeto, nem mesmo à origem do documentário A' uwe Uptabi, realização do Nucleo de Cultura Indígena. Mas vale pela sensibilidade e visão.
O povo Xavante merece este e muitos outros prêmios.
Angela Pappiani
Aproveitamos para enviar também a crítica publicada no DOCBLOG de
A sobrevivência na diferença
Estratégia Xavante, de Belisário Franca, conta a estória de oito meninos indígenas de etnia xavante que, no final dos anos 1970, por decisão do cacique Apoena, foram enviados a Ribeirão Preto (SP) para serem educados e conviverem com famílias brancas. A estratégia era fazer com que eles estudassem, conhecessem e entrassem em contato com as regras e hábitos dos brancos para melhor defender e fortalecer a cultura xavante. A trajetória desses meninos é recuperada em entrevistas com as famílias de criação e nos depoimentos dos próprios índios que viveram a experiência - hoje, quase todos expressivos líderes de comunidades xavantes. Mas o filme é mais que isso.
O diretor explora com delicadeza aquilo que se revela como trama paralela à estratégia que dá nome ao filme: as diferenças insuperáveis que se tornam a principal referência na vida desses meninos. Uma vez na cidade, são vistos com estranhamento, curiosidade e alteridade; de volta à tribo, são eles que têm dificuldade em se readaptar aos hábitos antigos, perdem os rituais de passagem, essenciais na formação cultural das crianças xavantes. Tanto as suas memórias quanto a das famílias de criação estão calcadas nas diferenças produzidas no encontro. A grande sacada de Franca foi perceber como, justamente por conta da percepção dessa diferença, os índios puderam, e souberam, ser atravessados pela cultura branca sem serem assimilados por ela.
Não foi essa a primeira vez que Belisário Franca filmou os xavantes. Em Povo Verdadeiro (1988) ele contou sobre as origens da tribo, que luta bravamente para sobreviver e manter a beleza do corpo e do espírito apenas com o que a terra lhe oferece, e que se distingue por viver todos os momentos importantes de forma coletiva. Vemos isso também em Estratégia, onde as cenas dos principais rituais pontuam a essência da cultura e contam sobre os valores que a norteiam. E é num belo insight do articulado Tsetetó Xavante, um dos jovens da experiência, que todas essas imagens ganham um sentido redentor: segundo ele, os xavantes passam por todos os rituais para que aprendam a ultrapassar suas dificuldades e, dessa forma, se impor como homens perante a tribo pela auto-superação; já para os brancos, diz ele, o peso e a cobrança são muito maiores, eles precisam superar muito mais que a si próprios. "Psicologicamente, o homem branco é doido...", resume Tsetetó.
Será talvez a hora de também nós inventarmos uma estratégia de sobrevivência?
angela @ 09:41 | | Link

O IDETI criou este BLOG para propiciar um dinamismo maior na divulgação das noticias.
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